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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Porque o trigrama é uma figura da imanência?


Me repetirei um pouco, só no princípio, para esclarecer esta questão que me foi proposta, agradeço a compreensão de quem vem lendo meu blog
Quando Fu Xi, soberano e sábio chinês que viveu a mais ou menos 4.000 anos (2005-1766 a.C) organizou os trigramas, deu origem as formas embrionárias do que viria a ser os caracteres chineses escritos.
Toda a civilização chinesa foi construída a partir de duas notações, dois traços, inteiro “ _____”  e partido “__   __” e é pela combinação destes traços que se compões os 8 guá fundamentais, ou os trigramas. Os traços plenos e partidos não constituem em si mesmos uma linguagem, nem transmitem um pensamento nem querer, pode-se dizer que é pré-simbólico. Por isso, não há uma formula única que nos leve de seu início até seu fim, é tão somente um jogo, um dispositivo de manipulação, sempre aberto e criativo.
Diferentemente dos ideogramas que surgiram posteriormente, os trigramas e hexagramas não expressam um sentido, mas definem uma matriz. É aqui que está o segredo, a oposição entre a palavra e o traço. Se desdobrarmos esse conceito chegaremos a uma outra oposição de confronto entre mito e diagrama.
Obviamente, essa oposição pode ser contestada, mas pode servir de baliza para compreende a imanência do I-Ching, então por hora deixemos assim.
Tanto o mito como o diagrama visam a revelar algo que está além da linguagem abstrata ou que ela não revela tão bem, os dois também recorrem a figuras imagéticas e, além disso, organizam-se em seqüência lógica para este fim. Porém, a primeira vista, as paridades acabam por aí. O mito coloca em cena um drama, na forma de história enquanto o I-Ching representa uma evolução por transformação. O mito utiliza atores enquanto o I-Ching intervém com fatores constitutivos (yin e yang, traço pleno e partido). Na medida em que o mito é explicativo e nos remete a uma causa primeira, o I-Ching nos dá um indicativo de tendência. Enquanto o Mito é inventivo e dá função à ficção, o I-Ching é detectivo expressando o sentido de sua função primeira, a adivinhação.
Por todos estes fatores podemos dizer que o Mito está mais ligado a revelação da transcendência e o I-Ching com a percepção da imanência.

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