Toda a civilização chinesa, sua cultura e linguagem, tem como base o traço pleno "_____" e o traço partido "__ __", o yang e o yin. Entretanto a inscrição do traço é ainda pré-simbólico e portanto não se constitui numa linguagem. O I-Ching não foi escrito em nenhuma língua e não se pode dizer que possui uma língua própria. Em princípio, o I-Ching não tem por objetivo transcrever nada, nem pensamento nem querer, é apenas um jogo de figuras. É de suas oposições e correlações, suas possibilidades de transformação, que nasce o sentido.
Por isso, a leitura do Livro das Mutações não tem uma trama fechada, que possa levar-nos de seu princípio a seu fim. A leitura deve ser feita simplesmente como um "modo a seguir", como um dispositivo a manipular, sempre de improviso. Este é precisamente o Tao do I (ou, a verdade da mutação): Tudo está em constante mudança e quando as situações ultrapassam seu extremo, alternam naturalmente para seu oposto.
O Tao do I diz: "em uma situação e ocasião favoráveis, nunca despreze o potencial desfavorável. Em uma situação e ocasião desfavoráveis nunca aja brusca e cegamente. E, em circunstâncias adversas, nunca fique deprimido nem se desespere".

Nenhum comentário:
Postar um comentário