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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Análise Básica dos Hexagramas solsticiais e equinociais

Como já falei bastante de Kan e Li, não me estenderei na análise.

Hexagrama 29 - Inverno: Kan – Escuridão – A água flui duas vezes. Representa o oeste. O Símbolo é Água sobre Água: escuridão. De acordo com a seqüencia de Fu Xi dos oito trigramas Kan representa a Lua, que por si não tem luz nem calor, refletindo o sol, por isso representa o yang dentro do yin.

Hexagrama 30 - Verão: Li – Brilho – Brilho duplicado. Representa o leste. O Símbolo é Fogo sobre Fogo: Brilho. Ao contrário de Kan, Li representa o Sol que é a fonte de luz e calor e portanto é o yin dentro do yang, o sol nascente.

Hexagrama 51 - Primavera: Zhen – Agir – Trovão é duplo. É o despertar dos insetos que ocorre no mês de março, durante este período os trovões ribombam. O trovão proclama a chegada da primavera. Todos os animais e insetos hibernando despertam e brotos minúsculos eclodem. “Seqüência do hexagrama: Para cuidar de um vaso para sacrifícios, ninguém é mais adequado que o filho mais velho. Assim depois de Instituir o Novo vem Agir”


Hexagrama 58 - Outono: Dui – Alegre – Lagos unidos um ao outro. Dui deveria ser traduzido como charco ou pântano. O arroz é a base da sustentação da vida para os chineses e ele é cultivado nos charcos. A época do plantio do arroz é no equinócio de outono. Uma linha maleável montada sobre duas firmes forma Lago. A linha maleável representa a personalidade alegre e dócil enquanto as duas firmes simbolizam a força e o princípio interior. 

Hexagramas dos meses equinociais e solsticiais

              Depois de questionarem as informações do tópico anterior sobre os hexagramas dos soltícios decidi fazer uma série de textos tentando explicar cada um dos hexagramas que se encaixam nos meses, tanto dos equinócios quanto dos soltícios para verificar a confiabilidade destas mesmas informações.
              De acordo com o Mestre Taoísta Alfred Huang, todos os 64 hexagramas correspondem aos meses do calendário lunar chinês, entretanto os meses de março, junho, setembro e dezembro (os meses dos equinócios e solstícios) são correlatos a 6 hexagramas enquanto os outros oito meses tem apenas 5 hexagramas com os quais pode-se formar analogia.
              Entretanto, de acordo com meus estudos sobre o I-Ching e suas relações com os meses do calendário lunar chinês, me parece que haveria outras possibilidades de compreensão. Huang não situa alguns hexagramas correspondendo com os meses solsticiais que muito bem poderiam estar ali localizados, como por exemplo, Quian (Céu) e Kun (Terra) que poderiam ser, respectivamente, correspondentes do solstício de verão e de inverno. Outra coisa que me chama a atenção na leitura de Huang é que os meses de Março e Junho têm apenas dois hexagramas correspondentes no Cânone Superior e quatro no Cânone Inferior, enquanto os meses de Setembro e Dezembro têm três hexagramas tanto no Cânone Superior como no Inferior.
              Por que Huang faz isso? É justamente a isso que estou me propondo, mas desde já advirto: estou partindo do pressuposto que as explicações e delimitações dos meses apontadas por Huang estão corretas e caso isso venha a se configurar um erro, minha teoria cairá, inevitavelmente, por terra.

              Utilizarei os nomes dados a incidência da luz solar no Planeta Terra de acordo o hemisfério norte, ou seja, os Equinócios de Primavera e Outono acontecendo em Março e Setembro, respectivamente; e os Solstícios de Verão e Inverno ocorrendo em Junho e Dezembro, respectivamente. Para facilitar a compreensão falarei nos meses do calendário solar, apesar da referência chinesa ser no calendário lunar.